28 Julho, 2008

além de ridículo, o amor é cafona.*


*e a imagem é EMO.

há uns dias postei aqui um dos meus poemas favoritos.
aquele que diz que todas as cartas de amor são ridículas.

ontem escrevi 2 historinhas de amor. ambas verdadeiras em absolutamente todos os detalhes. uma de amor de verdade e a outra de uma paixão de 10 dias.

não revisei o texto e não olhei as postagens na sequência
[como sempre]
ao entrar mais tarde no meu próprio blog, disse a mim mesma:
"jesuis! como você é cafonaaaaaaaaaaaaaaaaa!"

"quanto clichê e quanta breguice!!"

mas aí eu volto a minha idéia inicial:
1. o amor É ridículo!
2. o amor É cafona!

não sei em que momento, mas eu me transformei numa pessoa seca e muito direta.

eu não me apaixono mais! não mesmo!!
não com aquele exagero, não mais aquele amor de florentino ariza...
uma pena e até espero que isso mude.

e é bom ir tirando algum do bolso, meu senhor, porque esse sorriso aqui não sai de graça, não!

"hoje eu tenho apenas uma pedra no meu peito. exijo respeito, não sou mais um sonhador.
chega a mudar de calçada quando aparece uma flor, e dou risada do grande amor. MENTIRA!"
chico buarque

27 Julho, 2008

vento de maio

7 de maio de 2006.
com seu laço torto nos cabelos e uma tensão sem motivos, passeava por aquela fria e estranha cidade no sul do país.
andando por dentre os participantes da festa, esbarrou em alguém que cantou-lhe sua música.
apaixonou-se e eis que a recíproca fez-se valer. se falaram por telefone dias depois. coisas de trabalho.


no dia 26 de junho de 2006 desembarcou noutro estado para trabalhar em um projeto que duraria muito tempo. quando se deu conta, estava no banco de trás de um carro alugado para a equipe, sendo observada.

ela teve 40 minutos pra fazer a mala e chegar ao aeroporto.

no hotel, comentou com a companheira de quarto:

"nossa! nada combina com nada e esse frio vai me matar!" - emendou: "ah, dane-se! como se eu fosse conhecer o amor da minha vida nessa cidade congelante no fim do mundo."

a amiga respondeu: "vai saber..." e desceram pro jantar.

o jeito que ele a olhava não deixava dúvidas :: era amor.
à noite apaixonaram-se um bocado mais.
mas foi no dia seguinte com as flores amarelas por toda parte, que trocaram o primeiro sorriso de amor.
sabia ela que jamais amaria do mesmo jeito.

no quarto do hotel escreveu uma música para ele, enquanto ganhava um poema no quarto ao lado. beijaram-se horas depois.

sentiram abaladas suas calmas e embriagadas suas almas.

que fique serra abaixo!

quando entrei no avião pensei se era certo o que estava fazendo.
havia uma semana que não pensava em nada que não fosse aquele completo estranho.
aquele que me fascinava e fazia com que as nossas palavras se encaixassem tanto.

foram quase 10 dias.
ansiedade, telefonemas e mensagens trocadas.
em meu corpo estava o vestido de flores rodado que ele havia sugerido.

fazia calor e o sol esperava nosso encontro.
no saguão do aeroporto, o reconheci instintivamente.
aproximei-me tímida.

entramos no carro e alguns quilômetros de conversa desajeitada nos levaram ao cenário dessa história.
a troca de roupa aconteceu no quintal de uma curiosa casa.
nenhuma intimidade ou lugar próprio nos levou à praia.

o mar, o sol e alguns litros de cerveja nos ajudaram com o primeiro beijo.
minutos depois ele se transformaria num namorado de tempos atrás.

e que pouco queríamos ficar distantes!
mais de dois metros nos causava saudade e as horas passeavam lentas.

o canto nosso era só nosso.

ao final do terceiro dia, lá estava eu no aeroporto novamente.
são paulo clamava pela minha presença enquanto abandonava meu desconhecido amor.

pois que perguntou: "quando eu vou te ver de novo?"
e respondi: "nunca mais!"

sorri, entrei no avião e nunca mais o vi.
ainda consigo sentir seu cheiro e seu gosto.
quiçá, ouvir sua voz.

se pudesse agradeceria pelos lindos 3 dias de janeiro.

que chegue o verão!

da janela olho o sol minguando numa temperatura nada agradável.
pessoas elegantes mostram seus casacos, cachecóis e botas na avenida.

quem namora aproveita pra engordar e ver filme sob uma porção de cobertores.

pois é... eu DETESTO o inverno!

mas no verão...

no verão nossa pele fica bronzeada.
nossos ombros ficam à mostra.

vestidos floridos nos vestem e ocupam pouco espaço na mala.
os finais de semana são dedicados ao mar, biquinis e cerveja.

acordamos cedo e a geladeira está cheia de frutas cortadas.
saias que giram nos levam na avenida para sambar.

a gente samba no verão e quem samba tem alegria!

o redentor nos abre os braços mais do que nas outras estações do ano.
é possível amar por 4 dias e guardar aquele romance pra vida toda.

no verão meu nome é morena e isso muito me agrada.

só porque sou brasileira.
só porque sou viva.
e porque gosto do sol.

24 Julho, 2008

o mundo acabou

eu não tô na TPM! juro!

é que eu não suporto gente burra!
pessoas sem instrução nada têm a ver com meu ódio.

o que eu não entendo é como essa gente consegue diploma!
pior! quem é o filho da puta que emprega um semi-analfabeto pra ser ADeVOGADO do seu escritório ou pra ocupar outro cargo qualquer que demande ALGUM respeito alheio??

o texto vem assim: [vou me poupar em relação aos acentos e pontuações]

meu fazem 15 meses que eu nao vejo akele kra sabia ele tava numa trip irada mais aconteceu alguma coisa a uns anos atraz que ele fico meio doido
vai rola uma sonzera nakela balada que agente foi mais num sei se vo pode ir por que apartir do momento que to de mal humor num rola a viajem saka vo faze o seguinte daqui algum tempo eu te do uma ligada e meu ate quem fim agente se trombou ne hehehehehehehe derrepente se falamos mais tarde que se acha
foi uma conhecidência pois esse mundo eh mesmo estremamente pequeno

O QUE É ISSO??????????????????????????????????????????????
tenho vontade de chorar! essa gente tem diploma!
essa gente é formada em direito, essas pessoas são veterinárias!

com a licença poética: KERO MORRÊ!!!!!!!

eu não entendo! eu NÃO ENTENDO!

23 Julho, 2008

ainda sobre o contrário

o que era flor, eu já catei pra dar
até meus lápis de cor, eu já dei
G.I. Joe, já dei.
o que se pensar, eu já dei
minhas conchas do mar...
ah, minha flor! chega de maltratar!
o que mais pode agradar a você?
eu já fiz de tudo, cadê que adiantou?
que louco que é o amor...
tem graça viver.

quando ela fica de mal não quer brincar...

* letra da música curumim - djavan. meu irmão [o mesmo da carta abaixo] cantava pra mim

contrário [por josé l.]

quando a gente mima, ela fica doente.
quando a gente trata mal, ela cresce.
se amamos, ela foge.
se largamos, ela se vira.

onde estará o bem para ela?
qual será o caminho que leva ao momento presente?
[sem sofrimento]
** carta de amor fraterno

20 Julho, 2008

fortalece aí [wado]


fortalece aí, meu coração daquela força... meu coração

nunca desista! não se ausente! coração... novamente

até mais tarde! até a noite! juntos, finalmente!

“os meninos em volta da fogueira vão aprender coisas de sonho e de verdade. vão descobrir como se ganha uma bandeira e aprender o quanto custa a liberdade”

sobre paulista.ana. e sua preocupação com crases.

laura mora no meio da confusão, mas com 10 anos tudo era diferente.
costumava ir à sears comprar cacarecos com sua mãe.
depois virou shopping paulista.
de toda forma ia à pé sozinha comprar acessórios com o dinheiro da mesada.

quando mais velha, os cinemas da avenida enchiam a cabeça de amores e invenções.
toda quarta-feira, após despedir-se das escadarias do número 900, 3 sessões seguidas a aguardavam como se, com honra, tivesse sido convidada.

nos tempos de agora lamenta a ida congestionada, mas liberta-se na volta iluminada.
com o stevie [o wonder] nos ouvidos, a caminhada sorri enquanto as obras não incomodam tanto.
nem à paulista, tampouco à paulistana em seu lugar favorito da cidade.

** hoje eu quis botar crase em tudo. só pq nunca tenho certeza de onde elas têm que aparecer.

keep moving forward

let me tell you something you already know.
the world ain't all sunshine and rainbows.
it's a very mean and nasty place and I don't care how tough you are it will beat you to your knees and keep you there permanently if you let it.
you, me, or nobody is gonna hit as hard as life.
but it ain't about how hard ya hit.
it's about how hard you can get hit and keep moving forward.
how much you can take and keep moving forward.
that's how winning is done!
Now if you know what you're worth then go out and get what you're worth.
but ya gotta be willing to take the hits, and not pointing fingers saying you ain't where you wanna be because of him, or her, or anybody!
cowards do that and that ain't you!
you're better than that!

15 Julho, 2008

fé cega. faca amolada.

milton nascimento [versão dos doces bárbaros. aumenta o som!]

agora não pergunto mais pra onde vai a estrada
agora não espero mais aquela madrugada
vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser faca amolada
o brilho cego de paixão e fé, faca amolada!

deixar a sua luz brilhar e ser muito tranquilo
deixar o seu amor crescer e ser muito tranquilo
brilhar, brilhar, acontecer, brilhar, faca amolada!

irmão, irmã, irmã, irmão de fé, faca amolada!

plantar o trigo e refazer o pão de cada dia
beber o vinho e renascer na luz de todo dia
a fé, a fé, paixão e fé, a fé, !faca amolada
o chão, o chão, o sal da terra, o chão, faca amolada!

deixar a sua luz brilhar no pão de todo dia
deixar o seu amor crescer na luz de cada dia
vai ser, vai ser, vai ter de ser, vai ser muito tranquilo

14 Julho, 2008

aérea

como sempre sentou-se na poltrona 17F.
gosta de inventar histórias enquanto encosta a cabeça na janela.

são 2 vôos por semana e muita coisa na cabeça.
hora de deixar o laptop no compartimento de bagagem de mão.

hoje estava mais bonita que o normal, embora sonada.
a notícia da manhã era a InBev e o domínio do mundo.

lembrou do dia que gravou um CD com músicas do Joe Satriani para aquele homem de olhos fortes que ilustrava a capa da revista exame da semana passada.
o homem que domina o mundo não conhecia Satriani e lhe pediu essa gentileza.
comentou que era o perfeito som para dirigir na estrada.

ela sempre gostou de ouvir aquele homem tão importante falar.

ela aprendeu um bocado sobre o domínio do mundo.
metas, objetivos e conquistas.
e por alguma razão especial ela sempre consegue.
[SEMPRE]

hoje não inventou história nenhuma.

13 Julho, 2008

libertas quae sera tamen

veio da voz doce de seu antigo amor,
das palavras respeitosas em baixo tom,
do delicado abrir da porta sem ofensa.

lá atrás deixaram o rancor brigando com a raiva.
a agressão matou o ciúme e o passado foi se afogar...

não importa aonde.

en.fim.
por mar, por terra e via embratel.
sem luz desperdiçada de manhã.

estou ligada num futuro blue

essa calma que inventei, bem sei
custou as contas que contei
eu tenho mais de 20 anos
e eu quero as cores e os colirios
meus delirios
estou ligada num futuro blue
e eu tenho mais de mil perguntas sem respostas.
EU TENHO MAIS DE VINTE ANOS.
Composição: Vitor Martins e Sueli Costa

11 Julho, 2008

ventrículos

segunda-feira peguei-me a procurar-te.
à direita, à esquerda e no torto. [aquele da granja].
foi na euforia de contar-te a novidade.

ouvir o "sim" que importava era o objetivo.
blindar meu sangue do veneno com teu antídoto.
compactuar tua voz com a minha pra fazer a diferença.

meu entusiasmo no teu ventrículo direito.

avisar-te que o mundo é meu.
pedir-te em retrato.
falado, velado ou apagado.

e de tanto não respirar teus lábios, chorei.

porque eu não quero só o suportável.
porque eu não lembro seu telefone.

ou só porque...
i still haven't found what i'm looking for... either.

[carta ao antigo amor]

antes da menopausa, tem a tpm

7h. acorda.
7h30. dorme de novo porque não dá pra trabalhar.
9h30. acorda e toma café da manhã planejando o dia.
9h45. volta a dormir porque o dia está horrível e comeu demais.
10h. escolhe o namoradinho da noite.
11h. decide que vai sair bela, fazer compras e preparar um almoço delicioso.
11h15. desiste.
11h45. deseja matar a atendente de telemarketing que não resolve seu problema.
12h20. chora de novo por estar tão gorda e tão feia.
12h40. percebe que não há como socializar nas próximas 24 horas.
13h50. planeja o assassinato de alguém.
14h10. trata mal o porteiro que veio [gentilmente] entregar uma correspondência.
16h. lembra que é sexta-feira.
19h30. sai amaldiçoando a vídeo-locadora pela fila que a fez deixar os dvds no balcão.
21h. desliga o celular e dorme.

e no dia seguinte, quase que saltita [a maldita] de tanta felicidade.

TODO SANTO MÊS...
e a diferença é [aparentemente] só um absorvente!

06 Julho, 2008

todas as cartas de amor são ridículas.


não seriam cartas de amor se não fossem ridículas.
também escrevi em meu tempo cartas de amor,
como as outras, ridículas.
as cartas de amor, se há amor, têm de ser ridículas.
mas, afinal, só as criaturas que nunca escreveram cartas de amor é que são ridículas.
quem me dera no tempo em que escrevia [sem dar por isso] cartas de amor ridículas.
a verdade é que hoje as minhas memórias dessas cartas de amor é que são ridículas.
(todas as palavras esdrúxulas, como os sentimentos esdrúxulos, são naturalmente ridículas.)
álvaro de campos, 21-10-1935

04 Julho, 2008

sobre ditongos, paroxítonas e lorena.

[vem, meu novo amor. vou deixar a casa aberta.
já escuto os teus braços. procurando pelo abrigo.
elton medeiros]

tinha cadeira mexendo de um lado pro outro.
tinha cortina de fios negros descendo pelos ombros.
tinha olhos caramelados e lábios de açaí.

senão tirada de um conto do jorge [o amado];
ou de uma canção de caetano [o veloso]
nem da cabeça do ary [o barroso]...
saíra da libido de homem qualquer.

real como mulher que cheira,
exala. morde. rosna. goza.

morena, lorena.
do tipo que faz só o que quer.
do tipo que dá o ritmo do gingado.
do tipo que inventa.
sorte tem quem aguenta.

e se alguém não quiser entender, pois que fale.
pois de nada sabe quem desconhece o sorriso de lorena.


*piropo do homem que sugeriu o nome lorena:
áries é paroxítona terminadada em ditongo crescente oral e as mulheres paroxítonas são doces.

03 Julho, 2008

fátima

ela não quer estar na moda, nem ir a paris.
alías, ela não sabe nada sobre paris.

ela quer ser importante mesmo que seja no seu metro quadrado.
ela não quer um homem perfeito.

ela quer um homem que troque o chuveiro.
ela cansou de emendar fios, trocar lâmpadas e desentupir canos.



a menina se deu conta de que o príncipe não tem cavalo branco.
a mulher cansou de querer ser mais que uma mulher.

por isso ela pegou uma mochila, 2 vestidos, sua santinha e foi embora.
no novo endereço ela é fátima, a melhor garçonete da cidade.

02 Julho, 2008

sem poesia

.nem melancolia.
.coisa de mulher.
tô apaixonada pelo clive owen.
simples, não?

01 Julho, 2008

15 meses

não sei mais fazer contas e sofro de amnésia anterógrada.
sei usar o excel porque minha memória antiga está intacta.
[embora eu confunda lembranças reais com as histórias que crio pra adormecer.]

15 meses são 450 dias.
em horas, 10800.

10800 horas que deverão passar pra que eu comece tudo de novo.
porque DE NOVO me encontro no ponto de partida.
o mundo é redondo e eu corro e corro e continuo no mesmo lugar.

talvez por isso eu não corra tanto quanto deveria.
talvez por isso eu não consiga registrar os fatos de agora.
talvez por isso eu me apegue tanto às memórias de outrora.

e daqui a 15 meses ou 450 dias ou 10800 horas, talvez eu sinta o mesmo que agora.