21 Dezembro, 2007

adeus, 2007. música mais cantada do ano.

eu bem nasci na cidade errada mesmo.

estácio, holly estácio
luiz melodia

se alguém quer matar-me de amor,
que me mate no estácio
bem no compasso, bem junto ao passo
do passista da escola de samba
do largo do estácio
o estácio acalma o sentido dos erros que eu faço
trago não traço, faço não caço
o amor da morena maldita do largo do estácio
fico manso, amanso a dor
holliday é um dia de paz
solto o ódio, mato o amor
holliday... eu já não penso mais

que venha 2008 com flores, sorrisos, cores, amores, gargalhadas, palavras, cartas e tudo o que for merecido.

20 Dezembro, 2007

o tal do esmalte

almoçava com seu chefe quando ele entrou no restaurante.
afobado, aproximou-se da mesa e disparou a falar coisas fora da ordem.

o garfo de prata lotado de risoto não chegava à boca.
da mesma estúpida forma, sua inútil taça d'água balangava tanto que, com vontade própria, jogou-se de volta à mesa.

os olhos ficaram pequeninos. menores que o coração que virara uma azeitona.

havia dois meses que não se viam.
o tempo mais longo em cinco anos.

ele disse olhando para um quadro qualquer:
- vim somente deixar esse recibo, vou me casar....

... ela pintou as unhas...
... desta vez, de rosa.

05 Dezembro, 2007

o cordão azul de letícia

o menino andava ansioso pela orla buscando letícia.
um ano sem o sorriso no sorriso dela.

letícia não sabia o melhor jeito de cruzar as pernas.
prendia e soltava o cabelo num nervosismo infantil.

assuntos do mês se embaralhavam enquanto um incômodo zunido de ouvido a desconcentrava.
a música dele se confundia com a que vinha do mar.

o mesmo menino dos olhos que enxergaram o caramelo dos seus.
bem ali na sua frente.
perto.
muito perto.
não perto o suficiente.

rosto de um no rosto do outro.
segundos aflitos.
minuto longo.

um doce suor acompanhava as bocas involuntárias num rompante desesperado de busca mútua.
línguas na batida do cordão azul encantado.
cheiro de paz que esvazia o mundo e o faz girar devagarinho.

nua. única. última.

levou no bolso sua voz e um secreto [e ardido] desejo.

sobre a aposentadoria de camila

camila ficou cansada [de novo] de matar cafajeste, mulherzinha insignificante e velhos que atravancam filas.
ah.... baita trabalho fazer maquiagem todo dia, caçar puto que faz o bom cunhado no domingo e come secretária na segunda, manter aquele charme todo, salto fino e tals...

assim sendo, a pobre e cheirosa assassina resolveu dar um tempo.

da última vez que tentou a sonhada vida comum, um tijolo quase espatifou sua cabeça e duas velhas irritantes a fizeram voltar pro batente.

mas camila não é do tipo que desiste de primeira!
mais uma vez anunciou:
[vou me aposentar]

resolveu bancar um otário aí. bancário.
tipinho comum. honesto. sem graça.
ELA pagava os jantares e JUROU que esse NÃO rodava.

brincou de casinha um mês.

o bancário tava indo bem. camila viu 17 comédias românticas, não usou salto alto, trocou de perfume, vez ou outra deixou o esmalte craquelar e até passeou de mãos dadas no shopping.

um belo dia apareceu a gabizinha....
essa coisa de recado no aparelho móvel de telefone.
pãtz... aí já viu, né?

enfim, quando uma mulher se dá um apelido no diminutivo, com estrelinhas em volta... desculpa, ela tá pedindo pra camila se mexer!

se essa mulher escreve beijuusssssssssss, aki, e fica ansiosa pra ir na festa da firma com vestido novo de cetim verde e faz maquiLAgem no salão pra dar em cima do otário bancário....
o que faz camila?? esmaga a cabeça da imbecil com paralelepípedo?? [adoro proparoxítonas!]

não. camila gosta de seu revólver.
muito sangue dá trabalho.

e uma julizinha a mais ou outra a menos não ia fazer diferença.
[pras lojas de brincos gigantes, talvez]

otário bancário deu mole.

morreu, coitado! foi quase rápido.

antes de camila se maquiar, um tiro no pau pra dar tempo de pensar no que fez [ao estilo cantinho do castigo - camila é fã da super nanny] e meia horinha depois, um no peito porque a choradeira tava atrapalhando o coltrane na vitrola.