02 Dezembro, 2009

keep it simple

Acreditamos que a genialidade está na simplicidade,
nunca no simplismo.
Para tudo que for simplesmente bacana, o lugar é AQUI!

26 Novembro, 2009

é o amor outra vez

elis dizia que se Deus tivesse voz, seria a do milton [o nascimento]
eu digo que se Ele fosse mulher, sua voz seria da maria [a bethânia]
status: inebriada

É o amor outra vez
Veio sem me avisar
Foi abrindo o portão
Desse meu coração
Pra me visitar
Pôs a mala no chão
Acendeu meu olhar
Me beijou com paixão
Me trouxe um perdão
Que me fez chorar

Quando o amor se hospedou
Todo mal se desfez
Toda dor teve fim
Pois quem cuida de mim
É o amor outra vez

É o amor que dá vida ao meu peito
Pra eu jamais ver o tempo passar
É o amor que dá paz ao meu leito
E me ensina a sonhar
Só amor faz um bem tão bem feito
Que o destino não vai desmanchar
Só uma coisa no amor não tem jeito
É ter medo de amar

Mas agora que eu sei
Todo bem que me fez
Vou seguir sua lei
No meu peito meu rei
É o amor outra vez

20 Novembro, 2009

canção do amanhecer

"ouve. fecha os olhos, meu amor.
é noite ainda. que silêncio!"

eterna sonhadora essa tal de marina.
passa os dias procurando o amor.
noite dessas desistiu.

ficou apenas sentada observando toda a gente.
aguardou calma, sem saber o que esperava.

pois que o amor passou.
ali! ali! bem na sua frente.
sorriu. depois sorriu de novo. e de novo.
olhou. olhou. olhou. e olhou mais um pouco.

com o coração sorrindo e se rindo, partiu.

"sentindo saudades do que não foi.
lembrando até o que eu não vivi.
pensando em nós dois."

18 Novembro, 2009

let's get together... are you sure? e eu não falo porra nenhuma de inglês!

meu irmão dizia: você assiste muita novela...
o homem invisível disse: você vive nas letras das suas músicas...

firme, cuspia palavras sábias.
abastecida de experiência, argumentou por mais de uma hora.

enquanto a matraca trabalhava, os macacos do sótão diziam:
- tá fazendo merda! tá fazendo merda!

continuou eloquente e decidida.
[fazendo merda, claro!]

pois que vai passar as noites esperando a trilha sonora.
calaram-se todos. paulinho, jobim, francisco, elis e nina.

o coma

faz 3 meses que ela tá ali.
presa no corpo inerte que tudo ouve e tudo entende.
se pergunta por que as pessoas falam com ela como se tivesse voltado a ser criança ou se transformando num cãozinho.
sua tia inventou de ir todas as tardes ler um pouco pra ela.
[um livro pior que o outro]
a pobre não gostava da tia, tampouco de literatura de banca de jornal.

meu deus! de onde ela tirou a idéia de ler esses romances de banca de jornal pra mim? como eu faço pra fazer ela calar a boca? eu lá quero saber de livro?

toda noite, pontualmente às 20h, chega o marido.
a enfermeira repete o mesmo discurso diariamente:
- ah, tão bonito esse amor! o senhor nunca atrasa nem um minuto, não?
ela vai ficar boa logo! tenha fé! ela vai acordar!

eu tô acordada, porra! alguém tira essa mulher daqui!!!

toda noite ele fica ali, sentado à beira da cama de sua amada.
e reza. reza incansavelmente.
enquanto beija suas mãos, repete:
- vou esperar o tempo que for pra te beijar, te abraçar e pra ouvir de novo a sua voz.

eu não te amo mais! eu não te amo mais! eu não te amo mais!
quero me separar! quero me separar! quero me separar!

o que será que minha tia vai trazer amanhã?
paulo coelho ou sidney sheldon?
daqui não saio, daqui ninguém me tira!

11 Novembro, 2009

papo de cozinha

assistia [em paz] sua novela favorita quando a mãe gritou:
- Vem lanchar, marina!!

deu uma bela resmungada e desceu os dois lances de escadas até a cozinha.
antes de entrar [respirando o perfume do pão-de-ló quentinho] ouviu sua avó, mercedes:

ah, oswaldo era uma coisa!
bonito não era. rico, tampouco.
era um vagabundo!
papai me proibiu de cumprimentá-lo antes mesmo de conhecê-lo.
trabalhava como entregador na confeitaria.
imagine! eu, toda engomada, de flerte com o entregador!
papai morria...

e eu morria pelo oswaldo....

[pausa]

marina [escondida] enruga o rosto e franze a testa

[volta]

mãe!!!! [adverte neusa em tom de indignação]
- você traiu o papai???? que conversa é essa?

pois que vovó responde:
- quem foi que falou em traição, filha?
falo de paixão!
aquilo que faz tremer!
diabo de coisa que esquenta!

vai me dizer que o banana do seu marido te causa furor??

[neusa grita]

- mamãe! A senhora passou dos limites!
eu amo meu marido! como ousa??

ele é o pai dos meus filhos e o homem que eu amo!
você abençoou meu casamento e agora está desonrando a memória do meu pai.
não vou admitir esse tipo de desrespeito na minha casa, mesmo respeitando a senhora [como devo]
ASSUNTO ENCERRADO!

[marina entra]

- vó, quem era o oswaldo?
- ah, minha querida, o oswaldo....

[neusa interrompe FURIOSA]

- mãe! CHEGA!

[marina ignora a fúria da mãe]
- vó, eu estou apaixonada por um menino que sempre fica na porta da escola, mas minha mãe não deixa nem eu chegar perto!
agora deu pra me buscar na porta bem na hora da saída!!

[silêncio]

- marina, minha querida... sua mãe tem razão. isso de paixão não existe!
o que faz as pessoas felizes é o amor construído... uma vida inteira compartilhada a dois.
escolha um rapaz que te ame e te trate com respeito.

- mas, vó!!! e o oswaldo????

- que oswaldo, marina?
eu tava aqui contando causos do meu tempo pra sua mãe.

- mas...

[neusa encerra]

- marina, não tem “mas”!!! você quer suco ou chá?
e come logo o bolo porque ainda tá quentinho!

29 Outubro, 2009

da série: remédios para a alma

pela milésima vez....
uma das minhas cenas favoritas da vida.
pra encher a vida de delicadeza e amor.

27 Outubro, 2009

sempre cantando na batucada da vida

21 Outubro, 2009

por entre as ruínas de santa cruz

"na costura da minha vida, mais um ponto.
no arremate do sorriso, mais um nó."

era de manhã. mal consegui acender meu cigarro.
lá estava eu, deitada no chão dum tapete que separava as salas de jantar e estar.
o cachorro latia, enquanto pessoas choravam e gritavam.
na casa, a movimentação era inquietante para quem acabara de bater as botas.

por favor, um pouco de ordem! – pedi, em vão!
tive um velório luxuoso. as pessoas falavam comigo.
o sepultamento também foi bonito!

entre um choro e outro, descansei abraçada a um velho travesseiro.
recebi um carinho nos cabelos, que mais serviu prum conforto quase eterno.
quase.

alguns segundos na memória daquela alma que já não existia mais.

dizem que reencarnei, mas não entendo disso, não.

há 17 anos alguém murmura camões [pra mim] em seus sonhos...

“alma minha gentil, que te partiste tão cedo desta vida, descontente, repousa lá no céu eternamente e viva eu cá na terra sempre triste.
se lá no assento etéreo, onde subiste, memória desta vida se consente, não te esqueças daquele amor ardente que já nos olhos meus tão puro viste.
e se vires que pode merecer-te algua cousa a dor que me ficou da mágoa, sem remédio, de perder-te, roga a Deus, que teus anos encurtou, que tão cedo de cá me leve a ver-te, quão cedo de meus olhos te levou.”

alma minha gentil

ele me ensinou a cantar e prometeu que sempre estaria ao meu lado.
tanto faz o lado, tanto faz o laço.
ele sempre esteve ali.

deitou-se ao meu lado e disse o quanto éramos fracos.
bom seria irmos embora.
nós dois. medo. dele. meu.

medos desses que sei dentro da minha loucura, mas desconheço os da sua.
eles [os medos] se encontram em nossa alma, que divide-se por aí.

fiz-lhe carinho enquanto seus olhos fechados o protegiam do mal, dos medos e da chuva.
prometi que tudo ia ficar bem.

menti. pela primeira vez.

menti.
já não sei se vamos ficar bem.

06 Outubro, 2009

sobre a "minha estupidez"

tô ouvindo.. tô tentando.. tô me esforçando.. tô me comportando..

olha [de roberto e erasmo] - na voz de chico e erasmo

Olha, você tem todas as coisas que um dia eu sonhei pra mim.
A cabeça cheia de problemas. não me importo, eu gosto mesmo assim.
Tem olhos cheios de esperança de uma cor que ninguém mais possui.
Me traz meu passado e as lembranças.
Coisas que eu quis ser e não fui.
Olha, você vive tão distante.
Muito além do que eu posso ter.
Eu, que sempre fui tão incostante, te juro, meu amor, agora é pra valer!
Olha vem comigo aonde eu for!
Seja minha amante, meu amor.
Vem seguir comigo o meu caminho e viver a vida só de amor.

05 Outubro, 2009

Chico Buarque - Matréria - Trama/Radiola 23/09/09

20 Setembro, 2009

Leo Cavalcanti - Frenesi de Otário

18 Setembro, 2009

beba-me, mas coma-me também!

Dor-de-cotovelo - Caetano Veloso

O ciúme dói nos cotovelos
Na raiz dos cabelos
Gela a sola dos pés
Faz os músculos ficarem moles
E o estômago vão e sem fome
Dói da flor da pele ao pó do osso
Rói do cóccix até o pescoço
Acende uma luz branca em seu umbigo
Você ama o inimigo
E se torna inimigo do amor
O ciúme dói do leito à margem
Dói pra fora na paisagem
Arde ao sol do fim do dia
Corre pelas veias na ramagem
Atravessa a voz e a melodia

13 Setembro, 2009

achei isso outro dia e achei que o texto não era meu... mas é.

obs.: não tem final.

Pecado de quem?

Drummond não combina com essa baixaria, mas é certo que João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém.
Para Maria Cândida, a fidelidade era tão real quanto as fadas que cuidavam da princesa aurora, A.K.A bela adormecida.
Descobrira cedo que o amor não funcionava como nos romances que lia, tampouco como nas novelas que ouvia no radio.
Por anos fez-se cega para as amantes de Eustáquio, seu pai.
Fingia que Alecsandra era realmente a fisioterapeuta de seu irmão, enquanto Virginia fazia infinitas novenas pela recuperação de seu marido.

Casou-se jovem com Antonio. Mulherengo nato que parecia convertido à vida familiar e a dedicar-se à jovem esposa.

Pois que Antonio envolveu-se com Vera.
Vera era leviana, sensual e dissimulada.

Foi pelas mãos e letras de vera que Maria Cândida deu-se conta da realidade.
Após aguns anos de conflito, vera casou-se com um homem mais velho.
Era artista, diziam por aí, à boca miúda.
Homem mais velho, experiente e cheio de histórias pra contar.

Desquitada, maria cândida perdera as esperanças de sentir-se viva por mais que meio segundo ainda naquele século.

Passeava numa tarde casta de sábado no mercado municipal quando augusto, gentilmente a cumprimentou.

31 Agosto, 2009

sobre a esquizofrenia na televisão

por saberem da minha proximidade com a doença, várias pessoas insistiram pra que eu assistisse a novela das 21h, “caminho das índias”, pra ver a trajetória do personagem interpretado pelo bruno gagliasso, que tenta trazer ao público o drama vivido pelos loucos e seus familiares.

apesar de realmente odiar as novelas da glória perez, e não ter NENHUM saco pra essa, resolvi assistir.

primeira coisa: além de imitar descaradamente a atuação do russell crowe em "uma mente brilhante", onde ele faz [brilhantemente] o john nash, o pobrezinho faz papel de retardado mental, com tiques que [sinceramente] desconheço em portadores desse defeitinho no sótão.

é claro que há exceções e tipos diferentes de personalidades, paranóias, surtos e ect, mas mostrar ao mainstream a doença de forma estereotipada é irresponsável!

muitos aspectos são perfeitamente retratados, como o fato deles pararem de tomar o remédio quando acham que estão bons, a mania de perseguição, as vozes, o estado de mania e a perda do vínculo com o que é real e o que é fantasia!
ok! mas esses são basicamente os sintomas que definem o diagnóstico!

um excelente retrato é o apresentado pelo antony hopkins em "a prova" ou "proof".

um “louco” nem sempre demonstra que é louco, e algumas vezes só aquela única pessoa que é seu elo com a realidade, é capaz de identificar o que é realidade e o que é fantasia em meio a tantos pensamentos de pessoas inteligentíssimas.

muitas vezes, eles só perdem o poder de persuasão e manipulação, quando tentam tratar enrolar quem os cuida e mais os conhece.

não sou médica, mas sou o elo com a realidade de um esquizofrênico há 17 anos e sei o que estou falando.

precisava expor minha opinião.

17 Julho, 2009

Tulipa e Tatá no show Novos Paulistas

19 Maio, 2009

meu pai me mandou estudar, mas eu não obedeci!

12 Maio, 2009

Tulipa Ruiz no Prata

08 Maio, 2009

Tarantino's Mind

24 Abril, 2009

a canção que ele fez pra mim

ele não é o rei, nem eu a bethânia.
também foi só uma canção, mas achei fofo usar o nome de um dos meus álbuns favoritos da vida.

lá em casa tinha um piano que fez a trilha sonora na nossa vida com a ajuda dos dedinhos abençoados do meu irmão.
esse mesmo irmão também tocava violão, flauta e o que estivesse por perto.
o único instrumento que proibimos (a votação foi unânime! até o danilo, nosso cachorro votou) foi a trompa.
MENOR chance dele tocando aquilo na nossa orelha!
ainda mais porque ele estava aprendendo.

eu sempre, SEMPRE, ficava perto dele no piano.
tá, quem eu vou enganar? eu não desgrudo dele desde que eu nasci.

quando ele ficava só com o violão, eu cantava junto.
ele me ensinava e me avisava quando eu desafinava.
me ensinou algumas músicas no piano (aquelas de criança e de primeiras aulas)

ele sempre cantava pra mim "canto do povo de algum lugar" do caetano.
só descobri que era do caetano com 16 anos. sempre achei que era dele.

teve uma que ele fez pra mim e sempre cantamos juntos.
hoje quando meu itunes caiu no canto do povo de algum lugar, lembrei do meu primeiro presente musical.

é de manhã e o sol levantou
estou feliz porque o mar é meu
o céu azul e a terra mãe
cantam pra mim nova canção

brilham o céu e o mar
e as estrelas brilham também

a melodia é linda.
é uma canção pruma menina pequena que gostava de sol e do mar.

meu irmão nessa época era o bicho-grilo mór.
hermeto, egberto gismonti, o clube da esquina e a tetê espíndola eram os personagens daquele ano.
eu tinha uns 8 ou 9 anos.
tenho 30 e ainda sou a pinguinzinha dele.

eu não me lembrava disso há uns 8 anos.
gostoso momento nostálgico.
liguei pra ele e cantamos (envergonhados).

hoje em dia temos noção de que a música é tola.
e o que seria da vida sem as tolices de amor?

20 Abril, 2009

na índia

There was a boy
A very strange enchanted boy
They say he wandered very far, very far
Over land and sea
A little shy
And sad of eye
But very wise
Was he

And then one day
A magic day he passed my way
And while we spoke of many things, fools and kings
This he said to me
The greatest thing
You'll ever learn
Is just to love
And be loved
In return

The greatest thing
You'll ever learn
Is just to love
And be loved
In return"

nat king cole, nature Boy

19 Abril, 2009

para lene


hoje ela completaria 70 anos.
sua cabeça estaria completamente tomada de fios brancos.
era vaidosa demais pra envelhecer, mas dizia que os cabelos brancos eram como cicatrizes.
eram exibidos com orgulho, como se indicassem tudo o que ela viveu.
eu, particularmente, acho que ela teria mudado de idéia.

ela enlouquecia com nossas crises de asma e bronquite.
por isso, meu irmão e eu ganhamos uma tartaruga.
ela dizia que era simpatia. tentou de tudo pra gente respirar melhor.

se eu pudesse, hoje pediria desculpas por fazer TANTO barulho na porta de seu quarto nas manhãs de sábado pra acordá-la.
eu não conseguia ficar muitas horas longe dela.

eu saía da escola e, muitas vezes, ia pra escola dela. só pra ficar pertinho.
todos os dias, quando ela chegava do trabalho, fazia bolo.
nunca entendi como alguém era capaz de fazer bolo como se descascasse uma banana.

ela gostava de ter minhas amiguinhas e amiguinhos por perto.
a chris sempre foi sua preferida. elas se tratavam como mãe e filha.
um dia fiquei com ciúme porque ela tava dando conselhos pra chris sobre o seu namoradinho, que morava na rua de cima. o apelido dele era "perna".
comigo ela não falava sobre isso porque eu era 3 anos mais nova.

quando eu e a chris brigamos, ela deu um jeito da gente fazer as pazes numa feira de ciências.
ela tinha tanta certeza que seu plano daria certo, que comprou uma roupa preu ir na festa de 15 anos da chris (que eu tinha certeza que nao seria convidada)

ela tinha um orgulho bobo de tudo o que eu fazia.
dizia que eu nadava feito um peixinho.
nos jogos de vôlei, vibrava como se eu estivesse a caminho da seleção!
toda vez que contava que eu aprendi a ler e escrever sozinha, ela crescia.

sempre me fez cuidar dos dentes porque quando eu ria, todos eles apareciam.
sempre cuidou da minha alimentação porque sabia que eu engordava só de olhar prum quindim.
dizia que meus olhos eram exatamente da mesma cor dos olhos do meu avô.
meu avô se chamava salvatore armando capuano.
nunca o conheci, mas ela dizia que ele sempre sonhou um ter uma netinha gordinha que usasse aquelas calcinhas de babadinho em cima da fralda.
ele conheceu todos os netos homens, a neta magricela (minha prima), e foi pro céu antes de ter sua gorducha de pernas tortas com uma fralda pra lá de grandinha.

ela me ensinou que quando ia em festas acompanhando meu pai, e as mulheres começavam a falar da europa, ela ficava quieta como se tb conhecesse tudo aquilo.
morreu sem conhecer a áustria.
a mesma áustria que eu e ela visitávamos nos filmes da sissi e na noviça rebelde.

sempre que ela tentava contar uma história que achava muito engraçada, nao conseguia porque gargalhava tanto no meio, que desistia.
eu faço exatamente a mesma coisa. minhas amigas gostam qdo faço isso.

sempre imitou a elis regina.
ela era parecida mesmo com a cantora.
imitava o corte de cabelo, a sobrancelha e ouvia seus discos incansavelmente.
gostava da elizeth cardoso e do chico.
venerava o paulinho da viola.tratava o frank sinatra com intimidade (my old blue eyes, dizia)
seu único homem foi meu pai. o amor mais bonito de todos.
não sei se foi feliz por completo.

criou 5 filhos, sendo que 1 foi adotada quando já tinha 19 anos de idade e tinha problemas mentais.

foi professora e diretora de escola pública.
nunca desistiu do ensino, mesmo quando tudo já parecia perdido.

um dia ela "esqueceu" o carro na escola, só pro meu irmão levá-la lá de moto!
cara de pau! ela queria mesmo um rolê na motoca do zé!

só discutimos uma vez. foi depois de uma ida ao shopping.
eu queria o disco na novela, e ela já tinha me comprado uma jaqueta.
apanhei quando cheguei em casa.
ela nunca tinha me batido. quando tentou, me deu uma mordidas e puxou meu cabelo.
eu ri. ri muito porque não doía e ela estava tão brava comigo!

depois eu chorei porque a tinha deixado aborrecida.
deixá-la chateada doeu mais do que qualquer surra (que ela não conseguiria me dar)

a gente adorava assistir jogos de vôlei juntas.
também adorávamos a novela "vale tudo". a última que vimos juntas.

meus bolinhos de arroz são melhores que os dela, mas a receita original veio da nanica mais amada do brasil.

ela queria que eu usasse colarzinhos de pérolas e roupas de linho.
hoje ela me infernizaria preu usar terninhos e salto alto.

17 anos se passaram e eu não sei como teria sido a vida com ela.
em 17 anos, não teve um só dia em que eu não tenha lembrado ou falado dela.

eu fiz o que era preciso, e no meu aniversário de 30 anos, tive certeza de que me tornei quem ela gostaria que eu fosse.
fiquei devendo o casamento e os filhos, mas ela entenderia essa parte.

ela coçava nossas costas até que nós dormíssemos.
o fefe já tinha 21 anos, eu 12 e ainda brigávamos pela fila dos fiozinhos de carinho.

até o dia dia 21 de outubro de 1992, eu nunca dormi sem ouvir a seguinte sequência de palavras que só faziam sentido pra nós duas:
"ah, te peguiça, tôqui, quepanhá, cobilinha, cotonho, gibamba, ômbidizi, vánumí, eu te amo!"

mesmo quando eu dormia na casa de alguma amiga ou ela estava viajando, eu só pegava no sono depois de ouvir ela falando isso!
detalhe: ela nao tinha a menor vergonha de falar isso ao telefone na frente de estranhos.

hoje eu e ela vamos passar o dia na áustria com a sissi e com a irmã maria.

só eu e ela.

feliz aniversário, mamãe.
e eu já não acho mais que carucita é um pequeno caroço!

17 Abril, 2009

Sei Lá, Mangueira

eu sou o samba.
só não sei se sou a voz do morro!

mas quero mostrar ao mundo que tenho valor,

23 Março, 2009

sete fitas coloridas

22 Março, 2009

não importa, são bonitas as canções.

saiba que os poetas, como os cegos, podem ver na escuridão.

21 Março, 2009

serás o meu amor

serás a minha paz

03 Março, 2009

an american in paris - i got rhythm

gershwin é sempre boa cia!
who could ask for anything more?

01 Março, 2009

as mulheres de 30 [por mario prata]

As mulheres de 30.

O que mais as espanta é que, de repente, elas percebem que já são balzaquianas.
Mas poucas balzacas leram A Mulher de Trinta, de Honoré de Balzac, escrito há mais de 150 anos.
Olhe o que ele diz: 'Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis.
A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência.
Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido. (...)

Entre elas duas há a distância incomensurável que vai do previsto ao imprevisto, da força à fraqueza.
A mulher de trinta anos satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não sê-lo, nada pode satisfazer'. Madame Bovary, outra francesa trintona, era tão maravilhosa que seu criador chegou a dizer diante dos tribunais: 'Madame Bovary c'est moi'.
E a Marilyn Monroe, que fez tudo aquilo entre 30 e 40?

Mas voltemos a nossa mulher de 30, a brasileira-tropicana, aquela que podemos encontrar na frente das escolas pegando os filhos ou num balcão de bar bebendo um chope sozinha.
Sim, a mulher de 30 bebe.
A mulher de 30 é morena.
Quando resolve fazer a besteira de tingir os cabelos de amarelo-hebe passa, automaticamente, a ter 40.
E o que mais encanta nas de 30 é que parece que nunca vão perder aquele jeitinho que trouxeram dos 20.
Mas, para isso, como elas se preocupam com a barriguinha!

[...]

Elas talvez não saibam, mas são as mais bonitas das mulheres.

Acho até que a idade mínima para concurso de miss deveria ser 30 anos.

Desfilam como gazelas, embora eu nunca tenha visto uma (gazela).
Sorriem e nos olham com uns olhos claros. Já notou que elas têm olhos claros?
E as que usam uns cabelos longos e ondulados e ficam a todo momento jogando as melenas para trás? É de matar.
O problema com esta faixa de idade é achar uma que não esteja terminando alguma tese ou TCC. E eu pergunto: existe algo mais excitante do que uma médica de 32 anos, toda de branco, com o estetoscópio balançando no decote de seu jaleco diante daqueles hirtos seios? E mulher de 30 guiando jipe? Covardia.

A mulher de 30 ainda não fez plástica.
Não precisa.
Está com tudo em cima.

Ela, ao contrário das de 20, nunca ficou.
Quando resolve, vai pra valer.
Faz sexo como se fosse a última vez.
A mulher de 30 morde, grita, sua como ninguém.
Não finge.

Mata o homem, tenha ele 20 ou 50.
E o hálito, então? É fresco.
E os pelinhos nas costas, lá pra baixo, que mais parecem pele de pêssego, como diria o Machado se referindo a Helena, que, infelizmente, nunca chegou aos 30?
Mas o que mais me encanta nas mulheres de 30 é a independência.

Moram sozinhas e suas casas têm ainda um frescor das de 20 e a maturidade das de 40.
Adoram flores e um cachorrinho pequeno.
Curtem janelas abertas.
Elas sabem escolher um travesseiro.
E amam quem querem, à hora que querem e onde querem.
E o mais importante: do jeito que desejam. São fortes as mulheres de 30.

E não têm pressa pra nada.
Sabem aonde vão chegar.
E sempre chegam.
Chegam lá atrás, no Balzac: 'A mulher de 30 anos satisfaz tudo'.
Ponto. Pra elas.

.: luana, obrigada pelo texto.