assistia [em paz] sua novela favorita quando a mãe gritou: - Vem lanchar, marina!!
deu uma bela resmungada e desceu os dois lances de escadas até a cozinha. antes de entrar [respirando o perfume do pão-de-ló quentinho] ouviu sua avó, mercedes:
ah, oswaldo era uma coisa! bonito não era. rico, tampouco. era um vagabundo! papai me proibiu de cumprimentá-lo antes mesmo de conhecê-lo. trabalhava como entregador na confeitaria. imagine! eu, toda engomada, de flerte com o entregador! papai morria...
e eu morria pelo oswaldo....
[pausa]
marina [escondida] enruga o rosto e franze a testa
[volta]
mãe!!!! [adverte neusa em tom de indignação] - você traiu o papai???? que conversa é essa?
pois que vovó responde: - quem foi que falou em traição, filha? falo de paixão! aquilo que faz tremer! diabo de coisa que esquenta!
vai me dizer que o banana do seu marido te causa furor??
[neusa grita]
- mamãe! A senhora passou dos limites! eu amo meu marido! como ousa??
ele é o pai dos meus filhos e o homem que eu amo! você abençoou meu casamento e agora está desonrando a memória do meu pai. não vou admitir esse tipo de desrespeito na minha casa, mesmo respeitando a senhora [como devo] ASSUNTO ENCERRADO!
[marina entra]
- vó, quem era o oswaldo? - ah, minha querida, o oswaldo....
[neusa interrompe FURIOSA]
- mãe! CHEGA!
[marina ignora a fúria da mãe] - vó, eu estou apaixonada por um menino que sempre fica na porta da escola, mas minha mãe não deixa nem eu chegar perto! agora deu pra me buscar na porta bem na hora da saída!!
[silêncio]
- marina, minha querida... sua mãe tem razão. isso de paixão não existe! o que faz as pessoas felizes é o amor construído... uma vida inteira compartilhada a dois. escolha um rapaz que te ame e te trate com respeito.
- mas, vó!!! e o oswaldo????
- que oswaldo, marina? eu tava aqui contando causos do meu tempo pra sua mãe.
- mas...
[neusa encerra]
- marina, não tem “mas”!!! você quer suco ou chá? e come logo o bolo porque ainda tá quentinho!
"na costura da minha vida, mais um ponto. no arremate do sorriso, mais um nó."
era de manhã. mal consegui acender meu cigarro. lá estava eu, deitada no chão dum tapete que separava as salas de jantar e estar. o cachorro latia, enquanto pessoas choravam e gritavam. na casa, a movimentação era inquietante para quem acabara de bater as botas.
por favor, um pouco de ordem! – pedi, em vão! tive um velório luxuoso. as pessoas falavam comigo. o sepultamento também foi bonito!
entre um choro e outro, descansei abraçada a um velho travesseiro. recebi um carinho nos cabelos, que mais serviu prum conforto quase eterno. quase.
alguns segundos na memória daquela alma que já não existia mais.
dizem que reencarnei, mas não entendo disso, não.
há 17 anos alguém murmura camões [pra mim] em seus sonhos...
“alma minha gentil, que te partiste tão cedo desta vida, descontente, repousa lá no céu eternamente e viva eu cá na terra sempre triste. se lá no assento etéreo, onde subiste, memória desta vida se consente, não te esqueças daquele amor ardente que já nos olhos meus tão puro viste. e se vires que pode merecer-te algua cousa a dor que me ficou da mágoa, sem remédio, de perder-te, roga a Deus, que teus anos encurtou, que tão cedo de cá me leve a ver-te, quão cedo de meus olhos te levou.”
olha [de roberto e erasmo] - na voz de chico e erasmo
Olha, você tem todas as coisas que um dia eu sonhei pra mim. A cabeça cheia de problemas. não me importo, eu gosto mesmo assim. Tem olhos cheios de esperança de uma cor que ninguém mais possui. Me traz meu passado e as lembranças. Coisas que eu quis ser e não fui. Olha, você vive tão distante. Muito além do que eu posso ter. Eu, que sempre fui tão incostante, te juro, meu amor, agora é pra valer! Olha vem comigo aonde eu for! Seja minha amante, meu amor. Vem seguir comigo o meu caminho e viver a vida só de amor.
O ciúme dói nos cotovelos Na raiz dos cabelos Gela a sola dos pés Faz os músculos ficarem moles E o estômago vão e sem fome Dói da flor da pele ao pó do osso Rói do cóccix até o pescoço Acende uma luz branca em seu umbigo Você ama o inimigo E se torna inimigo do amor O ciúme dói do leito à margem Dói pra fora na paisagem Arde ao sol do fim do dia Corre pelas veias na ramagem Atravessa a voz e a melodia
achei isso outro dia e achei que o texto não era meu... mas é.
obs.: não tem final.
Pecado de quem?
Drummond não combina com essa baixaria, mas é certo que João amava Teresa que amava Raimundo que amava Maria que amava Joaquim que amava Lili que não amava ninguém. Para Maria Cândida, a fidelidade era tão real quanto as fadas que cuidavam da princesa aurora, A.K.A bela adormecida. Descobrira cedo que o amor não funcionava como nos romances que lia, tampouco como nas novelas que ouvia no radio. Por anos fez-se cega para as amantes de Eustáquio, seu pai. Fingia que Alecsandra era realmente a fisioterapeuta de seu irmão, enquanto Virginia fazia infinitas novenas pela recuperação de seu marido.
Casou-se jovem com Antonio. Mulherengo nato que parecia convertido à vida familiar e a dedicar-se à jovem esposa.
Pois que Antonio envolveu-se com Vera. Vera era leviana, sensual e dissimulada.
Foi pelas mãos e letras de vera que Maria Cândida deu-se conta da realidade. Após aguns anos de conflito, vera casou-se com um homem mais velho. Era artista, diziam por aí, à boca miúda. Homem mais velho, experiente e cheio de histórias pra contar.
Desquitada, maria cândida perdera as esperanças de sentir-se viva por mais que meio segundo ainda naquele século.
Passeava numa tarde casta de sábado no mercado municipal quando augusto, gentilmente a cumprimentou.
por saberem da minha proximidade com a doença, várias pessoas insistiram pra que eu assistisse a novela das 21h, “caminho das índias”, pra ver a trajetória do personagem interpretado pelo bruno gagliasso, que tenta trazer ao público o drama vivido pelos loucos e seus familiares.
apesar de realmente odiar as novelas da glória perez, e não ter NENHUM saco pra essa, resolvi assistir.
primeira coisa: além de imitar descaradamente a atuação do russell crowe em "uma mente brilhante", onde ele faz [brilhantemente] o john nash, o pobrezinho faz papel de retardado mental, com tiques que [sinceramente] desconheço em portadores desse defeitinho no sótão.
é claro que há exceções e tipos diferentes de personalidades, paranóias, surtos e ect, mas mostrar ao mainstream a doença de forma estereotipada é irresponsável!
muitos aspectos são perfeitamente retratados, como o fato deles pararem de tomar o remédio quando acham que estão bons, a mania de perseguição, as vozes, o estado de mania e a perda do vínculo com o que é real e o que é fantasia! ok! mas esses são basicamente os sintomas que definem o diagnóstico!
um excelente retrato é o apresentado pelo antony hopkins em "a prova" ou "proof".
um “louco” nem sempre demonstra que é louco, e algumas vezes só aquela única pessoa que é seu elo com a realidade, é capaz de identificar o que é realidade e o que é fantasia em meio a tantos pensamentos de pessoas inteligentíssimas.
muitas vezes, eles só perdem o poder de persuasão e manipulação, quando tentam tratar enrolar quem os cuida e mais os conhece.
não sou médica, mas sou o elo com a realidade de um esquizofrênico há 17 anos e sei o que estou falando.
ele não é o rei, nem eu a bethânia. também foi só uma canção, mas achei fofo usar o nome de um dos meus álbuns favoritos da vida.
lá em casa tinha um piano que fez a trilha sonora na nossa vida com a ajuda dos dedinhos abençoados do meu irmão. esse mesmo irmão também tocava violão, flauta e o que estivesse por perto. o único instrumento que proibimos (a votação foi unânime! até o danilo, nosso cachorro votou) foi a trompa. MENOR chance dele tocando aquilo na nossa orelha! ainda mais porque ele estava aprendendo.
eu sempre, SEMPRE, ficava perto dele no piano. tá, quem eu vou enganar? eu não desgrudo dele desde que eu nasci.
quando ele ficava só com o violão, eu cantava junto. ele me ensinava e me avisava quando eu desafinava. me ensinou algumas músicas no piano (aquelas de criança e de primeiras aulas)
ele sempre cantava pra mim "canto do povo de algum lugar" do caetano. só descobri que era do caetano com 16 anos. sempre achei que era dele.
teve uma que ele fez pra mim e sempre cantamos juntos. hoje quando meu itunes caiu no canto do povo de algum lugar, lembrei do meu primeiro presente musical.
é de manhã e o sol levantou estou feliz porque o mar é meu o céu azul e a terra mãe cantam pra mim nova canção
brilham o céu e o mar e as estrelas brilham também
a melodia é linda. é uma canção pruma menina pequena que gostava de sol e do mar.
meu irmão nessa época era o bicho-grilo mór. hermeto, egberto gismonti, o clube da esquina e a tetê espíndola eram os personagens daquele ano. eu tinha uns 8 ou 9 anos. tenho 30 e ainda sou a pinguinzinha dele.
eu não me lembrava disso há uns 8 anos. gostoso momento nostálgico. liguei pra ele e cantamos (envergonhados).
hoje em dia temos noção de que a música é tola. e o que seria da vida sem as tolices de amor?
There was a boy A very strange enchanted boy They say he wandered very far, very far Over land and sea A little shy And sad of eye But very wise Was he
And then one day A magic day he passed my way And while we spoke of many things, fools and kings This he said to me The greatest thing You'll ever learn Is just to love And be loved In return
The greatest thing You'll ever learn Is just to love And be loved In return"
sua cabeça estaria completamente tomada de fios brancos.
era vaidosa demais pra envelhecer, mas dizia que os cabelos brancos eram como cicatrizes.
eram exibidos com orgulho, como se indicassem tudo o que ela viveu.
eu, particularmente, acho que ela teria mudado de idéia.
ela enlouquecia com nossas crises de asma e bronquite.
por isso, meu irmão e eu ganhamos uma tartaruga.
ela dizia que era simpatia. tentou de tudo pra gente respirar melhor.
se eu pudesse, hoje pediria desculpas por fazer TANTO barulho na porta de seu quarto nas manhãs de sábado pra acordá-la.
eu não conseguia ficar muitas horas longe dela.
eu saía da escola e, muitas vezes, ia pra escola dela. só pra ficar pertinho.
todos os dias, quando ela chegava do trabalho, fazia bolo.
nunca entendi como alguém era capaz de fazer bolo como se descascasse uma banana.
ela gostava de ter minhas amiguinhas e amiguinhos por perto.
a chris sempre foi sua preferida. elas se tratavam como mãe e filha.
um dia fiquei com ciúme porque ela tava dando conselhos pra chris sobre o seu namoradinho, que morava na rua de cima. o apelido dele era "perna".
comigo ela não falava sobre isso porque eu era 3 anos mais nova.
quando eu e a chris brigamos, ela deu um jeito da gente fazer as pazes numa feira de ciências.
ela tinha tanta certeza que seu plano daria certo, que comprou uma roupa preu ir na festa de 15 anos da chris (que eu tinha certeza que nao seria convidada)
ela tinha um orgulho bobo de tudo o que eu fazia.
dizia que eu nadava feito um peixinho.
nos jogos de vôlei, vibrava como se eu estivesse a caminho da seleção!
toda vez que contava que eu aprendi a ler e escrever sozinha, ela crescia.
sempre me fez cuidar dos dentes porque quando eu ria, todos eles apareciam.
sempre cuidou da minha alimentação porque sabia que eu engordava só de olhar prum quindim.
dizia que meus olhos eram exatamente da mesma cor dos olhos do meu avô.
meu avô se chamava salvatore armando capuano.
nunca o conheci, mas ela dizia que ele sempre sonhou um ter uma netinha gordinha que usasse aquelas calcinhas de babadinho em cima da fralda.
ele conheceu todos os netos homens, a neta magricela (minha prima), e foi pro céu antes de ter sua gorducha de pernas tortas com uma fralda pra lá de grandinha.
ela me ensinou que quando ia em festas acompanhando meu pai, e as mulheres começavam a falar da europa, ela ficava quieta como se tb conhecesse tudo aquilo. morreu sem conhecer a áustria.
a mesma áustria que eu e ela visitávamos nos filmes da sissi e na noviça rebelde.
sempre que ela tentava contar uma história que achava muito engraçada, nao conseguia porque gargalhava tanto no meio, que desistia.
eu faço exatamente a mesma coisa. minhas amigas gostam qdo faço isso.
sempre imitou a elis regina.
ela era parecida mesmo com a cantora.
imitava o corte de cabelo, a sobrancelha e ouvia seus discos incansavelmente. gostava da elizeth cardoso e do chico.
venerava o paulinho da viola.tratava o frank sinatra com intimidade (my old blue eyes, dizia)
seu único homem foi meu pai. o amor mais bonito de todos.
não sei se foi feliz por completo.
criou 5 filhos, sendo que 1 foi adotada quando já tinha 19 anos de idade e tinha problemas mentais.
foi professora e diretora de escola pública.
nunca desistiu do ensino, mesmo quando tudo já parecia perdido.
um dia ela "esqueceu" o carro na escola, só pro meu irmão levá-la lá de moto!
cara de pau! ela queria mesmo um rolê na motoca do zé!
só discutimos uma vez. foi depois de uma ida ao shopping.
eu queria o disco na novela, e ela já tinha me comprado uma jaqueta.
apanhei quando cheguei em casa.
ela nunca tinha me batido. quando tentou, me deu uma mordidas e puxou meu cabelo.
eu ri. ri muito porque não doía e ela estava tão brava comigo!
depois eu chorei porque a tinha deixado aborrecida.
deixá-la chateada doeu mais do que qualquer surra (que ela não conseguiria me dar)
a gente adorava assistir jogos de vôlei juntas.
também adorávamos a novela "vale tudo". a última que vimos juntas.
meus bolinhos de arroz são melhores que os dela, mas a receita original veio da nanica mais amada do brasil.
ela queria que eu usasse colarzinhos de pérolas e roupas de linho.
hoje ela me infernizaria preu usar terninhos e salto alto.
17 anos se passaram e eu não sei como teria sido a vida com ela.
em 17 anos, não teve um só dia em que eu não tenha lembrado ou falado dela.
eu fiz o que era preciso, e no meu aniversário de 30 anos, tive certeza de que me tornei quem ela gostaria que eu fosse.
fiquei devendo o casamento e os filhos, mas ela entenderia essa parte.
ela coçava nossas costas até que nós dormíssemos.
o fefe já tinha 21 anos, eu 12 e ainda brigávamos pela fila dos fiozinhos de carinho.
até o dia dia 21 de outubro de 1992, eu nunca dormi sem ouvir a seguinte sequência de palavras que só faziam sentido pra nós duas:
"ah, te peguiça, tôqui, quepanhá, cobilinha, cotonho, gibamba, ômbidizi, vánumí, eu te amo!"
mesmo quando eu dormia na casa de alguma amiga ou ela estava viajando, eu só pegava no sono depois de ouvir ela falando isso!
detalhe: ela nao tinha a menor vergonha de falar isso ao telefone na frente de estranhos.
hoje eu e ela vamos passar o dia na áustria com a sissi e com a irmã maria.
só eu e ela.
feliz aniversário, mamãe.
e eu já não acho mais que carucita é um pequeno caroço!
O que mais as espanta é que, de repente, elas percebem que já são balzaquianas. Mas poucas balzacas leram A Mulher de Trinta, de Honoré de Balzac, escrito há mais de 150 anos. Olhe o que ele diz: 'Uma mulher de trinta anos tem atrativos irresistíveis. A mulher jovem tem muitas ilusões, muita inexperiência. Uma nos instrui, a outra quer tudo aprender e acredita ter dito tudo despindo o vestido. (...)
Entre elas duas há a distância incomensurável que vai do previsto ao imprevisto, da força à fraqueza. A mulher de trinta anos satisfaz tudo, e a jovem, sob pena de não sê-lo, nada pode satisfazer'. Madame Bovary, outra francesa trintona, era tão maravilhosa que seu criador chegou a dizer diante dos tribunais: 'Madame Bovary c'est moi'. E a Marilyn Monroe, que fez tudo aquilo entre 30 e 40?
Mas voltemos a nossa mulher de 30, a brasileira-tropicana, aquela que podemos encontrar na frente das escolas pegando os filhos ou num balcão de bar bebendo um chope sozinha. Sim, a mulher de 30 bebe. A mulher de 30 é morena. Quando resolve fazer a besteira de tingir os cabelos de amarelo-hebe passa, automaticamente, a ter 40. E o que mais encanta nas de 30 é que parece que nunca vão perder aquele jeitinho que trouxeram dos 20. Mas, para isso, como elas se preocupam com a barriguinha!
[...]
Elas talvez não saibam, mas são as mais bonitas das mulheres.
Acho até que a idade mínima para concurso de miss deveria ser 30 anos.
Desfilam como gazelas, embora eu nunca tenha visto uma (gazela). Sorriem e nos olham com uns olhos claros. Já notou que elas têm olhos claros? E as que usam uns cabelos longos e ondulados e ficam a todo momento jogando as melenas para trás? É de matar. O problema com esta faixa de idade é achar uma que não esteja terminando alguma tese ou TCC. E eu pergunto: existe algo mais excitante do que uma médica de 32 anos, toda de branco, com o estetoscópio balançando no decote de seu jaleco diante daqueles hirtos seios? E mulher de 30 guiando jipe? Covardia.
A mulher de 30 ainda não fez plástica. Não precisa. Está com tudo em cima.
Ela, ao contrário das de 20, nunca ficou. Quando resolve, vai pra valer. Faz sexo como se fosse a última vez. A mulher de 30 morde, grita, sua como ninguém. Não finge.
Mata o homem, tenha ele 20 ou 50. E o hálito, então? É fresco. E os pelinhos nas costas, lá pra baixo, que mais parecem pele de pêssego, como diria o Machado se referindo a Helena, que, infelizmente, nunca chegou aos 30? Mas o que mais me encanta nas mulheres de 30 é a independência.
Moram sozinhas e suas casas têm ainda um frescor das de 20 e a maturidade das de 40. Adoram flores e um cachorrinho pequeno. Curtem janelas abertas. Elas sabem escolher um travesseiro. E amam quem querem, à hora que querem e onde querem. E o mais importante: do jeito que desejam. São fortes as mulheres de 30.
E não têm pressa pra nada. Sabem aonde vão chegar. E sempre chegam. Chegam lá atrás, no Balzac: 'A mulher de 30 anos satisfaz tudo'. Ponto. Pra elas.
desde sempre pensamos isso nas mesas dos bares que nos acolhem. enfim resolvemos fazer uma lista oficial do assunto recorrente: "em quem não confiamos."
por caru andrade, luana fornaciari e clarissa paiva.
. não confiamos em QUEM NÃO BEBE . quem nunca teve piolho . quem nunca teve cárie . quem não tem celulite . quem está SEMPRE feliz . quem nunca foi corno(a) . quem não tem barriga . quem diz que nunca viu Big Brother . não confiamos em gente eclética . em quem não odeia ninguém . quem não tem orkut . quem não tem medo de nada . em gente que vai pra micareta . quem nunca anda de ônibus . quem não come carne . quem não tem msn . quem não tem cartão de crédito . quem nunca teve amnésia alcoólica . quem nunca deu no primeiro encontro . quem nunca beijou 2 pessoas no mesmo dia . quem "não sai em foto" . quem nunca foi demitido . quem se diz "uma pessoa reservada" . quem nunca ficou com nenhum amigo (a) . quem fica noivo(a) . não confiamos em gente que não mente NUNCA . em quem nunca se arrepende de nada . quem não gosta de praia . quem nunca mandou email bêbado(a) . quem nunca disse "eu nunca mais vou beber" . quem não sabe perder no jogo . quem DIZ que não vê TV . quem nunca se apaixonou . quem nunca deu vexame . quem não sabe a letra de nenhuma música cafona . quem nunca cantou em karaokê . quem nunca tietou um artista . quem não tem amigo de infância . quem não come doce . quem não gosta de criança . quem nunca namorou . quem nunca cantou : "fazer amor de madrugada - em cima da cama e embaixo da escada." numa festa animadona. . quem nunca se emocionou com o hino nacional [ou chorou em final de copa do mundo]
“muitas vezes reconheço-me insuportável e eu só suporto os insuportáveis bêbada.”
::
“quando estou só, tenho certeza de que sou maior que eu mesma e isso me apavora. ninguém deve conhecer a sua própria dimensão.”
::
“por que você bebe de um modo geral? – primeiro porque quero. depois porque trabalho pra pagar o que bebo. finalmente, porque tenho senso de auto-crítica.”
::
“dor física, aliás, jamais me fez medo. tenho medo apenas do que não depende de mim. amar e não ser amada, por exemplo.”
:: “a bebida é a bengala de um velhinho que mora em minha personalidade, mas tenho certeza de que uma criança que existia em mim, antes de tantas coisas acontecerem, um dia voltará. só então saberei quem sou.”
::
“ela, que sempre gostara de se envolver com homens mais velhos, chegava aos 30 anos sentindo a falta de uma Cia que lhe transmitisse maior segurança, alguém com quem pudesse conversar de modo aberto sobre seus desejos e angústias.”
::
todos os trechos acima foram retirados do livro “maysa. só numa multidão de amores.” de lira neto.
eu disse que demoraria pra fazer qualquer menção à maysa na época da minissérie porque há meses estava lendo esse livro e separando esses trechos.
o ponto é que a globo suavizou [e MUITO] a tal da maysa.
ao contrário do que se espera de mim, eu não vou falar que twitter é coisa de nerd. tampouco, direi que é coisa de gente com falta do que fazer.
eu não só demorei pra entender a brincadeira, como INSISTI para entendê-la. [mas ainda não sei brincar direito]
se uma pessoa que eu admiro usa algum "veículo" que eu não domino, eu tenho a OBRIGAÇÃO de, no mínimo, tentar entendê-la. [isso serve pra tudo]
pois que comecei a "twittar", embora a neologia verbal e internética já me irritasse por si.
hoje me dei conta do seguinte: algumas pessoas têm informação demais na cabeça.
nem sempre por serem mais inteligentes ou cultas, MÃS por trabalharem mentalmente em ritmos diferentes.
algumas dessas pessoas têm a necessidade de externar seus pensamentos...
no caso dos grandes pensadores, saem as teses imortais. no caso dos ativamente criativos e eloquentemente "sei lá o quê", saem os ricos e os grandes escritores. no caso dos ativamente sociais.... [ah.... aí, o post já me deu preguiça...]
[RETOMANDO] enfim, restam os cerebralmente hiperativos [meu caso]
a gente PRECISA vomitar idéias, frases e pensamentos, pra que elas ou eles não nos sufoquem.
muitas vezes, eu QUERO e NECESSITO de elocubrações sobre determinado assunto que nem precisa de atenção.
agora jogo no twitter como se fosse [à moda antiga] um pedaço de papel no rio com um pensamento.
QUEM CAPTAR, captou!
e estrategicamente pensando... no rio, as métricas de impactos seriam QUASE nulas... eu só tô tentando aumentar as estatísticas... e como diria meu pai: